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Águas do Oeste Paulista - Rio Santo Anastácio
O Rio Santo Anastácio e a luta por sua recuperação

Perguntas feitas pelo Jornal OESTE NOTICIAS para a produção de reportagem especial "Águas do Oeste", que terá como foco central o Rio Santo Anastácio. A reportagem será publicada na Edição de domingo do dia 03/10/2010.
 
ON-Gostaria que o senhor fizesse uma definição sobre este rio - onde nasce e onde deságua, assim como o trecho que percorre (por quais municípios passa).
RESP.

A bacia hidrográfica do rio Santo Anastácio está inserida no contexto da Bacia Sedimentar do Paraná.

Ocupa aproximadamente 2.000 km2 e se localiza a SW do extremo oeste paulista, entre os meridianos 51° e 53°W, e entre os paralelos 21°45’ e 22°45’S. Encontram-se, nesta área, as cidades de Presidente Bernardes, Presidente Venceslau, Marabá Paulista, Álvares Machado, Santo Anastácio, Presidente Epitácio e, como pólo regional, Presidente Prudente. Sua principal via de acesso faz-se pelas rodovias Raposo Tavares (SP-270) e Assis Chateaubriant (SP-425), bem como a ferrovia Bandeirantes e a Hidrovia Tietê-Paraná. A área que abrange a bacia do rio Santo Anastácio teve sua ocupação iniciada nas primeiras décadas de século XX, conduzida por fazendeiros e posseiros em busca da expansão do cultivo do café. Esta forma de ocupação desenfreada, empreendida pela franja pioneira, resultou em um dos maiores casos de devastação generalizada e impacto sobre o meio. Com o advento da crise de 1929, a cafeicultura cedeu lugar para o cultivo de amendoim, algodão e milho aumentando o empobrecimento do solo e dando espaço, em sequência, para o setor agro-pastoril (Mombeig, 1984). Nos dias atuais, com o aumento da demanda de álcoolcombustível, a região passa a se destacar pela grande produção de cana-de-açúcar, cuja lavoura passou a ocupar as áreas de pastagem. O Rio Santo Anastácio nasce na cidade de Regente Feijó, e deságua no Rio Paraná, já na cidade de Presidente Epitácio, passando pelas cidades citadas.

 

ON-Qual a extensão do Rio Santo Anastácio?
RESP. O rio desde sua nascente até o seu ponto onde se encontra com as águas do Rio Paraná, percorre uma distância de 102Km,

 

ON-Como este rio é utilizado? Sua água contribui para o abastecimento de Prudente e/ou outra cidade da região?

RESP. Esse rio serve de fonte de abastecimento para algumas cidades e para a lavoura e pecuária ribeirinha, como é o caso de Presidente Prudente que utiliza cerca de 30% de suas águas para o abastecimento público.

O rio é ainda usado com grande intensidade na lavoura e na pecuária por onde passa, onde os produtores nas duas áreas, acabam se utilizando de suas águas.


ON-Este sistema de captação é ambientalmente correto?
RESP. Como a cidade de Presidente Prudente utiliza cerda de 30% de suas águas para seu abastecimento, não que tal captação seja incorreto, pois tal procedimento vem sendo feito há anos, sendo o que vem ocorrendo com o rio, é a poluição, o que prejudica a captação, onde os órgãos que dele tiram a água para abastecer as cidades, devem rever a qualidade da água, mas mesmo assim mesmo com a poluição das cidades e da lavoura, por meio dos pesticidas e agrotóxicos, ainda assim há todo o processo de tratamento da água capitada, antes de ser levada as torneiras dos consumidores, o que torna a água boa para consumo, mas somente após o necessário tratamento, o que acaba encarecendo a forma de sua utilização, e deixando água não mais mesma condição de natural.

 

ON-Também gostaria que nos informasse qual sua situação atual deste rio, assim como as perspectivas para o futuro.

RESP. Umas das perspectivas do Rio nesse sentido, é exatamente ao grau de poluição e das circunstancias de assoreamento que o mesmo se encontra, com seu leito bastante comprometido em diversos pontos, e o que é mais lamentável é o assoreamento poucos quilômetros de sua nascente, já antes mesmo de chegar em Presidente Prudente e sua situação na cidade de Pirapózinho e em Marabá Paulista, já é visivelmente degradante e lastimável que se tenha deixado chegar a esse grau de assoreamento de destruição de sua mata ciliar;

 

ON-O que teria provocado a atual situação de degradação/assoreamento do rio Santo Anastácio?

RESP. Os responsáveis por toda essa situação CHAMA-SE O HOMEM, que de forma irresponsável veio ao longo dos anos, usando, retirando, desmatando, e dessa forma “matando o rio aos poucos”, como é o que vemos como ele se encontra, ao se passar por trechos onde ele nos enfeita com sua beleza, seja em parte dentro da área urbana, ou em áreas rurais, como em Marabá Paulista, mas que acaba nos dando outra visão desoladora, ao se ver, exatamente próximo da ponte na Rodovia que liga a cidade de Santo Anastácio a Mirante do Paranapanema.

 

ON-Qual o potencial de turismo deste rio?

RESP. O Rio Santo Anastácio, a principio, em termos de navegação, não se poderia dizer que seria uma opção de turismo, mas em termos de aproveitamento no contexto geral, desde sua nascente,  até onde vem a desaguar suas águas, pode ter uma aproveitamento muito melhorado, ou melhor, instalado, pois atualmente praticamente não existe uma aproveitamento que se  poderia dizer de aproveitamento turístico, como ocorre com tantos outros rios na região, a exemplo do próprio Rio Paraná, que é muito pouco explorado nesse campo.


ON-Qual o potencial de pesca?

RESP. Em termos de pesca, se poderia dizer a mesma coisa, pois o que se vez ao longo do rio, são pescadores artesanais e caseiros, nada que se diga de pesca produtiva ou comercial, e tal fato ocorre, também em face de que não mais há ao longo de seu leito quantidade e variedades de peixes que permita tal exploração.

O que se vê, é em pequenos trechos, como ocorre na parte represada próximo ao Bairro de Ana Jacinta, conhecida como represa da Cica, que é onde está um dos pontos de captação de água, algumas pessoas que se aventuram a pescar alguns pequenos exemplares, mas nada de importância.

 

ON-Como estão suas matas ciliares? - há trechos onde não existe mata ciliar? Quais?

RESP. Uma situação que deixa qualquer pessoa que tenha algum amor pela natureza e pelos Rios de nosso pais, é ver um Rio sem Mata Ciliar, ou sem quase nada, como ocorre no Santo Anastácio,  pois ao longo dos últimos anos, o que já era ruim está piorando, pois o homem destrói cada vez o pouco de mata ciliar que ainda resta, e com essa mudança do código florestal que está em discussão em Brasília, a tendência é piorar a situação de nossos Rios.

São vários os trechos no Rio Sto Anastácio que podemos detectar a ausência da mata ciliar, como nas proximidades de Pirapozinho, em Marabá Paulista, em Bernardes e assim por diante, pois o interesse maior do homem, é plantar e não preservar, mas plantar Cana, que ó atual mal do interior do Estado, e principalmente da região do Pontal do Paranapanema, onde as usinas de álcool  já estão se instalando, com várias delas já em funcionamento, e outras tantas que estão vindo, e com isso, não apenas as matas ciliares, mas todo e qualquer pouco segmento de área verde ainda existente nos campos, irão abaixo, para dar lugar a cana.

È o chamado desenvolvimento sustentável, que se vem pregando nas três esferas do governos e que nem o homem, com sua ganância está se apercebendo o mal que está causando a si mesmo.

 

ON-Qual o trecho em piores condições?

RESP.  Poucos quilômetros de sua nascente, onde foram feitos muito trabalho de terraplanagem, para a lavoura, para a pecuária, ainda em partes na cidade de Marabá Paulista;


O que já foi investido na recuperação do rio Santo Anastácio?

RESP. Praticamente nada. Fala-se muito e pouco se faz. Muitos são os projetos de recuperação do Rio e de suas Matas Ciliares. Até o governo estadual, tem projeto próprios para isso, mas a burocracia atrapalha, e quando não pessoas, ONGs, agricultores, empresários, e até instituições sérias, se colocam com o objetivo de lutarem pelo Rio, mas o que se vê é anos a fio de falação, de projetos, de verbas que vai e vem, E NADA DE RESULTADO PRÁTICO;


ON-Quais os projetos existentes hoje?

RESP. Temos conhecimento de que há alguns projetos voltados a recuperação do rio, mas não vemos tais projetos saírem do papel. Alguns deles chegam até a ser discutido no CBHPP- que é o Comitê de Bacias Hidrográficas do Pontal do Paranapanema, mas há um longo processo de discussão de apresentação, de aprovação de liberação de recursos para tanto.


ON-O que precisa ser feito para recuperar o Santo Anastácio?

RESP. Se colocar em prática os que se vem falando tanto, e se dar mais prioridade aos bons projetos, que tenham como fundo tal preocupação, e não apenas o interesse político ou demagógico de algumas pessoas ou grupos de pessoas ou entidades;

ON-Há ações em andamento?

RESP. O que existe é o trabalho isolado por parte de alguns órgãos públicos, para sanar problemas localizados, principalmente das prefeituras por onde o rio passa, mas no todo, não temos conhecimento, exceto de que há uma preocupação por parte do governo estadual em se recuperar as suas matas ciliares, mas isso também é mais uma preocupação e boa vontade como a de muita gente, que quer fazer, mas não demonstra capacidade técnica nem experiência para tanto, como existe em diversos segmentos que procuram ajuda, mas acabam não tendo o apoio necessário e ficando seus projetos pelo caminho.

Afora disso, o CBHPP, por meio das entidades que o compõe, como é o caso da CDPEMA, que é uma ONG de 33 anos de existência, e que vem ao longo dos 17 anos que tem atividade na cidade de Presidente Prudente, tem deixado espaço para que tais entidades apresentem seu projetos voltados ao Rio Sto Anastácio, e assim possa de fato se dar inicio ao um trabalho de recuperação de suas águas, de seu leito e de suas matas ciliares.

Para tanto a CDPEMA está aberta para receber sugestões e acolher pessoas que queiram participar de projeto para tal fim.
 

ON-Fique à vontade para inserir mais dados que considere importantes/interessantes.

RESP. Assim como vemos o Rio Sto Anastácio, muitos são os Rios, não apenas da região do Pontal do Paranapanema, como de todo o pais, que se encontram em situação de calamidade, com assoreamento praticamente total, poluição de suas águas, falta de quase a totalidade das matas ciliares, e as águas sem condições sequer de ser usada nem mesmo para a lavoura, muito menos para o abastecimento humano ou da pecuária.

É lamentável que o homem tenha deixado que a situação de nosso rios, tenha chegado a tal ponto, onde esquece ele, que é do rio que tiramos a água para mata nossa sede e para dar vida a lavoura que faz crescer nosso alimento e que deve irrigar nossas gerações futuras com brisas de frescor coloridos como a um arco íris que ao por do sol, nos a]encanta como a uma criança que pergunta ao pai, “ porque os adultos maltratam tanto a natureza, e nada fazem para cuidar da vida dos bichinhos da floresta e dos animais da cidade” – Ai ficamos sem resposta, devido a nossa arrogância e ganância.

 

Carlos Alberto Arraes

Presidente da ONG CDPEMA

WWW.CDPEMA.COM.BR


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Amanda Simões
Repórter - Jornal Oeste Notícias / Presidente Prudente /SP

(18) 3229-0332

 
     
 
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